Vivemos em uma era em que a praticidade reina. Entre compromissos, correria e cansaço, os alimentos ultraprocessados se tornaram protagonistas da dieta moderna. São fáceis, rápidos, saborosos — e, à primeira vista, parecem inofensivos.
Mas será que essa conveniência tem um preço?
A ciência mostra que sim.
E para quem convive com dor crônica, esse preço pode ser ainda mais alto.
Ultraprocessados: o que realmente são?
Nosso corpo não foi projetado para lidar com “alimentos que não são realmente alimentos”.
Os chamados alimentos ultraprocessados são produtos fabricados industrialmente a partir de substâncias extraídas de alimentos, combinadas com aditivos químicos, corantes, conservantes, realçadores de sabor e aromatizantes artificiais. Exemplos comuns incluem:
- Refrigerantes
- Embutidos
- Bolachas recheadas
- Salgadinhos
- Fast food
- Produtos “prontos para consumo”
Esses alimentos são hiperpalatáveis e viciantes, estimulando o consumo excessivo.
Hoje, eles representam entre 60% e 75% da alimentação de um adulto típico. No Brasil, estudos mais recentes indicam que esse número pode chegar a 90% da dieta da população geral.
A relação entre ultraprocessados e doenças crônicas
No Brasil, já está bem documentada a relação direta entre o aumento do consumo de ultraprocessados e:
- Sobrepeso
- Obesidade
- Diabetes
- Doenças cardiovasculares
Mas quando falamos de dor crônica, existe um fator adicional que muitas vezes passa despercebido:
O impacto desses alimentos no sistema nervoso.
Por que quem tem dor crônica sofre ainda mais?
Se você convive com dores crônicas — especialmente aquelas que não apresentam uma lesão visível, como:
- Fibromialgia
- Enxaqueca
- Síndrome do intestino irritável
- Algumas dores musculoesqueléticas persistentes
é importante entender que alimentação não é apenas uma questão estética.
Ela faz parte do tratamento.
Muitas dessas dores estão associadas a uma disfunção do sistema nervoso, que passa a interpretar estímulos normais como dor. É como se o corpo funcionasse com uma “pane elétrica”, mantendo o alarme da dor ligado mesmo sem um dano ativo.
E os ultraprocessados podem agravar esse cenário.
Como a alimentação pode piorar a dor?
O consumo frequente de ultraprocessados está associado a:
- Aumento da inflamação sistêmica
- Alterações na microbiota intestinal
- Maior liberação de substâncias pró-inflamatórias
- Desregulação do sistema nervoso central
Tudo isso pode sensibilizar ainda mais o sistema nervoso, tornando a dor mais intensa, mais frequente e mais difícil de controlar.
Ou seja:
Mesmo que o peso corporal não seja o principal problema, a qualidade do que você come pode estar alimentando a dor.
Informação não é o problema
Hoje em dia, dificilmente alguém não sabe que ultraprocessados não são saudáveis. A questão não é falta de informação.
O motivo pelo qual muitas pessoas continuam consumindo esses alimentos está, principalmente, no fato de serem vistos como:
- Baratos
- Convenientes
- Saborosos
Mas para quem convive com dor crônica, essa escolha pode ter um impacto direto na qualidade de vida.
Alimentação como parte do cuidado com a dor
Isso não significa que a dor crônica seja “culpa” da alimentação — e nem que basta mudar a dieta para eliminar o problema.
Mas significa que o tratamento da dor precisa ser global, considerando:
- Sistema nervoso
- Movimento
- Sono
- Saúde emocional
- Alimentação
Quando a alimentação é ajustada, ela pode ajudar a reduzir a carga inflamatória, favorecer o equilíbrio do sistema nervoso e potencializar os resultados do tratamento médico.
Dor crônica não é algo que você precisa aceitar
Se você convive com dor persistente, saiba que:
- Dor crônica não é normal
- Dor não é “coisa da idade”
- E você não precisa simplesmente aprender a conviver com ela
A ciência da dor avançou — e o cuidado vai muito além de analgésicos.
A vida é curta para viver com dor.


